Muitas vezes me interrogo para
que me servem os livros: - Não sei.
Tenho livros para várias funções.
Tenho livros para cozinhar, sem eles não cozinharia nada de novo. Também já
tive uns que eram de pintar mas não me serviram de nada, não aprendi a pintar.
Tenho livros para trabalhar, nesses está tudo o que não cabe no meu
conhecimento e não necessito de saber. Também os tenho para aprender, ou
melhor, que despertam em mim o que eu já sabia e apenas precisava de colocar em
pensamentos e palavras. Gosto muito destes livros, são estes que eu acho
verdadeiramente úteis. Também há livros que guardam mistérios insondáveis, são
aqueles que há vários séculos os homens têm, eu tenho dois: a Bíblia e o Corão.
Os livros que me dão mais prazer são os de histórias, às vezes são romances e
novelas, outras são contos e poemas. E também tenho livros grandes, com belas
imagens e papel de toque suave e brilhante, são os livros que coloco sobre a
mesa como se coloca uma pintura na parede, livros para disfrutar com os
sentidos e só depois, levemente, com o pensamento.
Mas há um tipo de livros dos
quais nunca me separo, são os livros companheiros. São os livros da caminhada,
aqueles que estão lá quando parece nada mais estar. Em todas as viagens eu
tenho livros companheiros, vão comigo para todo o lado, partilham comigo o
mistério das descobertas e o prazer secreto das despedidas. Ficam comigo o
tempo certo do amor sem mágoas e partem felizes.
Os livros são os meus fiéis
companheiros de viagem, sem eles seria solitária e não apenas só.