AEROPORTO



Os aeroportos são os locais mais previsíveis do mundo, muito embora as viagens aéreas estejam sujeitas a um conjunto de factores tão vasto e tão complexo que o grau de imprevisibilidade da sua realização nos exactos termos inicialmente planeados ser, de facto, grande. Talvez por isso os aeroportos tenham regras tão estritas de funcionamento, de organização e de gestão dos imprevistos.
Depois de percebidas as regras de funcionamento, que são de apreensão intuitiva, é muito fácil circular num aeroporto. Quando chegamos ao aeroporto já sabemos para onde vamos e o mais certo é já sabermos qual o voo em que vamos viajar. O placar de informações de voos dá-nos, logo à entrada, a informação sobre o balcão de check-in e também sobre o terminal e a porta de embarque de onde o avião sairá. Em grandes aeroportos internacionais, com vários terminais, convém verificar à saída de casa qual o terminal que é usado nas partidas do destino para onde viajamos ou pela companhia aérea que nos vendeu o bilhete. Nos voos domésticos basta chegar ao aeroporto com uma hora de antecedência; já nos voos internacionais são, pelo menos, 2 horas.

Feito check-in, por vezes em filas intermináveis de passageiros carregados de malas e embrulhos, a forma como se vive o aeroporto difere de pessoa para pessoa. Os aeroportos estão cheios de lojas de marcas de prestígio, sobretudo europeias e americanas. Há marcas que são “clássicos dos aeroportos” e outras que estão agora a chegar. Reparei hoje, no aeroporto de Heathrow, que a espanhola Zara tem uma loja. A presença da Zara, assim como de outras marcas dirigidas à classe média são mais uma prova da democratização das viagens aéreas e, por essa via, dos aeroportos. Um outro grupo de lojas interessantes são os restaurantes e cafés, que eu realmente aprecio, quer pela sua funcionalidade quer pelo seu design. As lojas duty free (conceito posto em causa pela europa da união) são armazéns, razoavelmente interessantes, de produtos mais ou menos utilitários, são clássicos: tabaco, perfumes, bebidas alcoólicas, chocolates, bolachas, utilidades relacionadas com malas, gadgets tecnológicos e um ou outro produto nacional. Em todas estas lojas de aeroporto o que verdadeiramente me fascina são as que vendem revistas, jornais e livros. Adoro ver os títulos de dezenas de livros e as capas das revistas, em várias línguas mas com clara predominância do inglês. Ao ver os livros nos aeroportos, o elevado número de exemplares em exposição, os seus títulos e os seus autores cheguei à conclusão (não confirmada) de que andamos todos a ler os mesmos livros, ou quase.

Quando vejo os livros que enchem os escaparates das lojas dos aeroportos não resisto ao devaneio de ver exactamente ali um livro cuja capa teria o meu nome, como autora. Não deixa de ser um devaneio interessante porque nunca, até agora, empreendi a tarefa de escrever um livro (desses de aeroporto). Depois há sempre a pergunta: que tipo de livro seria? E a resposta: Não sei.

Quando se viaja em trabalho, sobretudo para destinos mais longínquos e em que é necessário realizar escalas, é provável que se opte por viajar em business class, neste caso temos direito a um tratamento preferencial logo no aeroporto. O check-in é realizado num balcão exclusivo, há prioridade de acesso nos controlos de entrada à área de embarque e existe um lounge, confortável, onde esperar pela hora de partida. Nas viagens em que é necessário realizar conexões e os tempos de espera no aeroporto são prolongados o lounge é uma verdadeira bênção. Como não tenho por habito fazer compras em aeroportos o lounge é, para mim, o local de eleição entre dois voos, ai posso descansar, comer alguma coisa, tomar uma bebida, ler, consultar a internet e, em alguns, até tomar um banho ou receber uma massagem relaxante. Acresce que nestes espaços o atendimento é, em regra, atencioso e personalizado o que nos faz sentir mais seguros quanto às vicissitudes da viagem.

Os aeroportos não são locais de convívio, apesar das centenas ou milhares de pessoas que ali passam todos os dias, todos estão de passagem e uma conversa de aeroporto com um desconhecido é apenas uma troca de impressões educada e inconsequente. Todos estão de passagem e o com um objectivo em mente, chegar ao destino, seja ele qual for.

Para quem viaja em trabalho o chegar ao aeroporto corresponde ao começo do fim de alguma coisa e ao início de outra que não sendo ainda o objectivo pretendido é já a sua preparação. Pessoalmente, costumo aproveitar as minhas passagens pelos aeroportos para me dar algum descanso e paz, pensar sobre o sentido da viagem e do que vou fazer, ficar um pouco mais comigo mesma e com os meus objectivos pessoais e profissionais. Quando viajo sozinha prefiro não estabelecer conversas de circunstâncias com desconhecidos, são momentos de que necessito só para mim, quando chegar ao meu destino falarei com toda a gente.