É necessário deixar passar o tempo para sabermos qual a importância real de uma viagem de trabalho. Durante a viagem podemos viver momentos importantes, encontrar pessoas interessantes e fazer muitas coisas úteis, mas para sabermos que marcas trazemos para a vida é necessário tempo. Quais os locais mais felizes, mais belos ou onde apetece voltar? Quais as pessoas que ficarão no nosso coração para sempre e quais as que ficarão, de algum modo, na nossa vida? Quais as experiências que darão frutos e determinarão, de algum modo, o nosso desempenho ou percurso pessoal? É preciso deixar que o tempo faça o seu trabalho.
Quando olho para trás e desfio a memória das minhas viagens, há uma que se distingue de todas as outras pela forma como marcou a minha vida. Tudo começou em Macau, em finais de 1998, no IV Encontro Nacional de Fundações, na Casa Garden - Fundação Oriente.
Nessa altura eu era Assessora do Secretário de Estado da Administração Interna, trabalhava num gabinete governamental que tinha, entre outras, a competência pelo reconhecimento de fundações. O convite para que o Secretário de Estado fizesse uma intervenção sobre o tema das fundações neste Encontro Nacional (na altura Macau estava ainda sobre administração portuguesa) chegou no final do Verão e havia que preparar uma intervenção. Eu pouco sabia acerca de fundações, não conhecia o seu importante trabalho e quanto ao seu regime jurídico, para mim, era pouco mais do que uma secção do Código Civil. Havia que estudar, aprender e perceber os vários aspectos do tema e preparar um discurso técnica e politicamente competente, capaz de avaliar a situação e traçar medidas políticas, se fosse esse o caso. Trabalhei intensamente durante mais de dois meses e o que descobri e aprendi sobre fundações fascinou-me. Este meu trabalho, apoiado e seguido pelo membro do Governo responsável na área, teve consequências significativas neste sector e marcou, a partir daí, as minhas opções profissionais.
Macau é um destino longínquo e misterioso, de grande valor simbólico e cultural para Portugal e faltava apenas um ano para que o território voltasse à administração chinesa. Quando pisei pela primeira vez o solo macaense, vinda de Hong Kong, senti a emoção e o orgulho de ser mais do que Eu, de ser, também, a história, os valores e a cultura do meu povo, de ser Portuguesa.
Em Macau, tive dificuldades de adaptação física ao horário, o famoso jet leg, tive problemas com o computador do hotel com teclado inglês (desde essa altura que viajo sempre com o meu PC) e tive a notícia de que tinham assaltado a minha casa, em Lisboa. Senti-me mal, desejei nunca ter saído de casa, parecia que o mundo se virava contra mim e eu contra a mundo. Em teoria, eu apenas tinha que acompanhar o membro do Governo que faria a intervenção na conferência, mas tudo parecia depender de mim e eu estava frágil e aterrorizada. Ele também não ajudou, estava inseguro quanto ao discurso e discutimos a possibilidade de fazer alterações, alterou-se alguma coisa, mas pouco, o conteúdo proposto por mim manteve-se praticamente intacto.
A conferência foi um sucesso. Os participantes eram na sua esmagadora maioria portugueses que tinham viajado até Macau para participar no Encontro de Fundações. Conheci muitas pessoas das quais só sabia nome e as caras na TV. Conheci Carlos Monjardino, presidente da Fundação Oriente. Três anos depois estava a trabalhar na Fundação Oriente, onde fui muito feliz.
Gostei de Macau, voltei a Macau alguns anos mais tarde, já integrado na China como Região Administrativa Especial. Macau representa para mim o princípio de um caminho que percorro até hoje.
Sobre este IV Encontro Nacional de Fundações há informação que pode ser consultada:
http://www.cpf.org.pt/PT/index.htm
Gostei de Macau, voltei a Macau alguns anos mais tarde, já integrado na China como Região Administrativa Especial. Macau representa para mim o princípio de um caminho que percorro até hoje.
Sobre este IV Encontro Nacional de Fundações há informação que pode ser consultada:
http://www.cpf.org.pt/PT/index.htm
