No passado dia 24 de março estive em Perre, no concelho de Viana do Castelo para participar nas Jornadas de Reflexão da Associação dos Grupos Folclóricos do Alto Minho (AGFAM).
Todos os anos a AGFAM organiza este evento, dirigido aos jovens dos grupos de folclore que durante um dia desenvolvem várias atividades em conjunto e refletem criticamente sobre a cultura tradicional, o folclore e o espetáculo.
A metodologia de trabalho é dinâmica e permite a participação de todos. O dia inicia-se com uma apresentação de 15 minutos em que são definidos os objetivos a atingir. Constituem-se grupos de trabalho que durante toda a manha vão desenvolver os temas propostos e, depois de almoço, apresentam o seu trabalho. Os temas deste ano tinham a ver com a conceção de espetáculo e participação em eventos. Vimos propostas de apresentação de espetáculos em residências para idosos, em festivais de folcore e em eventos de carater internacional, entre outros. As soluções apresentadas incorporam na tradição os valores da qualidade e inovação nos espetáculos.
A minha participação decorreu durante a parte da tarde. Procurei explicar como o funciona o CIOFF - Conselho Internacional dos Organizadores de Festivais de Folclore e também dar uma perspetiva geral das políticas culturais da Fundação INATEL no âmbito do apoio às práticas culturais amadores e do património cultural imaterial (PCI).
No meu painel interveio a Mafalda Rego e o Fernando Pereira. A Mafalda falou do movimento dos grupos de folclore e cultura popular no Alto Minho, realçando a evolução dos últimos anos ao nível do relacionamento entre eles mas, também, na qualidade das iniciativas levadas a cabo, com manifesta dignificação da cultura tradicional e do movimento associativo. O Fernando Pereira partiu da sua experiência de 30 anos como artista e produtor de espetáculos para estabelecer um diálogo vivo e participado sobre as conceções de espetáculo, produção, apoios e incentivos.
Foi uma tarde muito bem passada. O trabalho desenvolvido foi útil para todos nós e os momentos de convívio pessoalmente gratificantes. Uma palavra de agradecimento para o Grupo de Perre que nos acolheu na sua sede e nos proporcionou um almoço fantástico. Ficou na minha memória o arroz doce, uma das joias da nossa gastronomia, que aqui tem uma das suas melhores expressões.
Pessoalmente, reforcei a minha convição de que o movimento associativo cultural está vivo, muito ativo e tem o futuro pela frente. Há muitos e bons motivos para acreditar na nossa cultura.
Parabéns a todos. É um enorme privilégio trabalhar convosco.

